Andean Aymara

Explorando aspectos interessantes dos morfemas deverbativos derivacionais em Muylaq’ Aymara

February 4th, 2010 · 1 Comment

Todos que estudaram línguas aglutinantes como o aimara e a quíchua têm notado que muitas vezes uma única palavra em uma língua corresponde a uma frase inteira em um idioma românico ou germânico. Normalmente, essa palavra aglutinante é muito extensa e contém muitos morfemas tanto nominais como verbais –  às vezes, até as palavras bissillábicas exigem uma longa explicação.

Considere, por exemplo, a raiz -tila ‘dividir em pequenos pedaços’, quando afixada ao morfema derivacional deverbativo da subcategoria daqueles que têm a ver com a identificação de localização espacial ou movimento,-nuqa (conhecido neste trabalho, como um morfema difuso), o resultado, enganosamente simples, tilanuqa tem algo a ver com a irrigação. Mais especificamente, ele transmite ou (1) a divisão fora do fluxo de água feito por outras pessoas que querem desviar um pouco de água para suas plantas ou animais, ou (2) um método de irrigação em que o fluxo de água num canal é subdividido em pequenas valas estreitas, como na ilustração. No processo de irrigação, o fazendeiro cava canais que posibilitarão a irrigação dos terrenos I e II. No primeiro momento ele abre os canais do terreno I deixando fechados os do terreno II. Quando o terreno I está irrigado, ele fecha seus canais e abre os do terreno II, e continua esse processo até que a terra esteja suficientemente irrigada, evitando enchentes e danos causados pela água.

A ordem para começar a trabalhar sobre este tipo de construção é simplesmente transmitida com a palavra imperativa, ¡Tilanaqam!

Agradacimentos a Edwin Banegas Flores por explicar todo isso.

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